quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Aula de Português para Concursos

Prova 1


AGENTE CENSITÁRIO MUNICIPAL / AGENTE CENSITÁRIO SUPERVISOR /2006

LÍNGUA PORTUGUESA



GENGIBANDO


Era época de recenseamento do IBGE e fui uma daquelas funcionárias públicas que fazia trabalho externo. O bom dessa experiência é que você conhece todo tipo de pessoa. Meu universo de conhecimento humano ficou bem mais vasto depois desse trabalho. Não sei se porque era muito falante e sempre bem humorada, fui nomeada a supervisora que iria visitar as recusas.

É porque não dá nem para imaginar a quantidade de pessoas que se recusam a receber a visita do infeliz do recenseador. Uns não entendem para que é necessário saber a quantidade de pessoas que existem no Brasil.Outros, talvez por terem algo a encobrir, receiam revelar alguma coisa que os incrimine.

O carro oficial levava os supervisores nas casas que tinham problema para receber o recenseador. Me lembro de ter ouvido do meu chefe imediato a seguinte argumentação: — Vá com calma nessa casa, que o homem apontou uma espingarda para o recenseador. (Que obviamente nem olhou para trás e saiu correndo.) Estava chovendo torrencialmente nesse dia e, ao descer do carro, bem em frente à casa que eu ia visitar, caí numa enorme poça de lama. Quando o homem abriu a porta, não deu nem tempo para limpar meus sapatos.

Ele me ajudou na operação limpeza e já fui fazendo as perguntas. Ele relutou, mas, aos poucos, foi cedendo e fui preenchendo o questionário.

Primeira pergunta: — Qual o nome das pessoas que moram aqui? Não me recordo os nomes exatos, mas ele respondeu algo do tipo tem a Joana minha “mulé” e os “fios” e o Pedro e o Joaquim. Quando acabei de anotar ele disse:

— Moça, esqueci de falar, tem o “mentar” lá no quarto, ele conta também?

Lembro de ter perguntado com aquela cara de não entendi:

— Como é “mentar”?

— É, dona, o pobrezinho sofre das “facurdade mentar”.

Respondi que contava, sim.

— Dona, a senhora quer ver ele?

— Não, preciso só anotar o nome e a idade dele.

Ele me levou assim mesmo no quarto e lá estava um rapaz com um sorriso enorme.

— “Óia”, dona, disse o homem, não precisa ter medo dele que ele está assim com a “gengiba” toda de fora por causa que ele é muito risonho assim mesmo. “Tivemo”

que arrancar “os dente tudo” dele que tava tudo “podrido”. Consegui preencher todo o questionário sem problemas e quando estava no fim das perguntas ele olhou para mim e disse:

—Tô com a “gengiba” coçando tanto, acho que vou ter que mandar o doutor “arrancá” tudo que é dente meu também.

Eu contra-argumentei que era melhor ele tratar os dentes e não arrancar nada. O fato é que ficamos horas “gengibando” e falando sobre “gengibas”. Isso aconteceu num bairro da periferia do Recife e o legítimo cabra da peste, o dono da “gengiba coçante”, fez a maior amizade comigo. Em momento algum eu o corrigi e sempre me referi à gengiva como “gengiba”.

O caso de recusa foi resolvido e acabamos de “gengiba” de fora de tanto rir e, pasmem, o homem até me deu uma jaca. Meu chefe não acreditou quando cheguei da casa do homem considerado super bravo segurando uma jaca, que é uma fruta para “gengiba” nenhuma botar defeito.

LUNA Rosi (adaptado). Disponível em www.anjosdeprata.com.b



1 No texto, encontra-se o relato de uma recenseadora:

(A) frustrada com o seu trabalho.

(B) angustiada com o sofrimento alheio.

(C) esperançosa quanto aos resultados do censo.

(D) ansiosa quanto às atitudes do entrevistado.

(E) satisfeita pelo seu dever cumprido.

2 A nomeação da recenseadora para supervisora de visita a recusas foi devida:

(A) a algumas características de sua personalidade.

(B) a seus conhecimentos sobre a língua portuguesa.

(C) à sua habilidade em lidar com deficientes mentais.

(D) ao fato de considerar o recenseador um infeliz.

(E) ao número de anos dedicados a esta profissão.

3 No segundo parágrafo, a narradora fala das recusas em receber o recenseador. De acordo com os dois exemplos citados, entende-se, respectivamente, que uns são:

(A) irresponsáveis e outros, desonestos.

(B) arredios e outros, agressivos.

(C) desinformados e outros, desconfiados.

(D) receptivos e outros, decepcionados.

(E) preconceituosos e outros, indiferentes

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“Em momento algum eu o corrigi e sempre me referi à gengiva como ‘gengiba’.” (l. 58-59). A atitude da recenseadora demonstra que ela:

(A) seguiu as instruções contidas em seu material de trabalho.

(B) foi obrigada pelo homem a pronunciar assim para não ser expulsa daquela casa.

(C) repetiu a pronúncia, mas depois censurou o “falar errado” do entrevistado.

(D) reconheceu que nossa língua falada apresenta, em determinados grupos sociais, algumas variações.

(E) pronunciou da mesma forma que o homem por ter dúvida quanto à pronúncia correta.

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5 “Vá com calma nessa casa, que o homem apontou uma espingarda para o recenseador.” (l. 17-18). Entendendo a fala do chefe como uma argumentação, o termo em destaque pode ser substituído por:

(A) o qual.

(B) porque.

(C) cujo.

(D) quando.

(E) portanto.

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“O fato é que ficamos horas ‘gengibando ’...” (l. 54-55). Sobre o termo destacado, é correto afirmar que se trata de um:

(A) verbo, formado a partir de um adjetivo.

(B) verbo, formado a partir de um substantivo.

(C) verbo, conjugado no presente do indicativo.

(D) substantivo, formado a partir de um verbo.

(E) adjetivo, formado a partir de um substantivo.

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O recenseador entrevista as pessoas .

Na frase acima, o termo destacado tem a função de sujeito. Assinale a opção em que recenseador também é sujeito.

(A) Algumas pessoas têm medo do recenseador.

(B) Aquele homem alto é recenseador.

(C) Preencheu todos os formulários o recenseador.

(D) O motorista levou o recenseador até a casa.

(E) O chefe pediu ao recenseador paciência



8 Em “Eu contra-argumentei que era melhor ele tratar os dentes...” (l. 53-54), a parte destacada tem seu CONTRÁRIO em:

(A) confirmei.

(B) discordei.

(C) concluí.

(D) concedi.

(E) registrei.

9 Assinale a frase em que a concordância verbal está INCORRETA

.

(A) Felizmente, a supervisora colhe as informações.

(B) Todas as pessoas aprovadas começam a trabalhar.

(C) O grupo de recenseadores recebe instruções.

(D) O candidato a recenseador faz as provas.

(E) Os funcionários do grupo aprende a entrevistar.

10 Quando o recenseador __________, trate-o bem para que ele _________ as informações de que __________ .

As formas verbais que completam a frase corretamente são:

(A) vier – colha – precisa.

(B) vier – colher – precisava.

(C) vem – colhe – precisa.

(D) vim – colha – precise.

(E) veio – colhera – precisava.



Gabarito 1e 2a 3c 4d 5b 6b 7c 8a 9e 10a